É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

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Filipe.ac
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É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Filipe.ac » 06 jun 2012, 18:05

Oi trompistas,
sou novo na trompa, mas tenho visto que no Brasil quase todo mundo que pode usa uma alex103.
e nem nunca vi ninguem de trompa tripla no Rio de janeiro.
Muitos tocam com a 103 pois gostam da sonoridade de berlim.
Qual é o principal motivos de muitos não tocarem com triplas no Brasil, e raramente se vê uma discant.
Abraço a todos.

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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por rmatosinhos » 06 jun 2012, 23:39

Não é pecado nenhum, mas geralmente um trompista soa melhor numa trompa dupla do que numa tripla.
Numa tripla é mais certo especialmente no registo agudo, mas perde-se sempre a nobreza do som e a suavidade de um bom legato.
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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Gil Brasil » 06 jun 2012, 23:47

Filipe, acho que devemos ponderar algumas situações.

1. As triplas são mais caras que as duplas.

2. O Matosinhos já ressaltou, apesar de que mesmo nas triplas, é possível tocar somente nas afinações Fá e Sib (como se fosse dupla), pois a opção da Fá-agudo ou Mib-agudo não são obrigatórias.

3. O Brasil tem pouca tradição em música clássica, aapesar de ter grandes nomes em esfera nacional e internacional como Heitor Villa-Lobos e Carlos Gomes. Ainda tem o fato de a trompa não ser estudada e trabalhada em concertos solos ou mesmo em quintetos de composição e produção exclusivamente brasileiras.

4. Este contexto incipiente e quase exclusivo de música clássica / erudita fechada a certos grupos sociais, prejudica principalmente a aquisição de uma trompa como instrumento, geralmente visto como 'feio esteticamente' por uma parte das pessoas leigas e bastante caro e altamente difícil pelos músicos (veja-se que trompetistas (Marcio Montarroyos, Fernando Dissenha, Hermeto Pascoal, Sérgio Cascapera), violonistas, saxofonistas, violinistas são bem mais comuns no Brasil, tanto na música clássica como na popular).

5. A fraca indústria nacional, pois contamos somente com a Weril como grande fabricante, que é muito boa em trombone (aliás, foi escolhido recentemente em um trombone Weril (notícia no site do IPEA) e opiniões de foreiros americanos comentando sobre o teste cego, como o melhor trombone do mundo), flugelhorn e trompete. A trompa Weril ainda deixa muito a desejar em relação até mesmo à Júpiter, quem dirá às mais famosas marcas.
Mais notícias da Weril: aqui, que aliás tem aumentado suas exportações para os EUA, Austrália, Europa e Indonésia.

6. O acesso ao instrumentos em grande escala, pois existem poucos lojistas especializados em produtos de qualidade, especialmente importados, e geralmente fixados em grandes centros, excluindo o vasto interior brasileiro. Até mesmo em cidades com mais de 500 mil habitantes como Uberlândia, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e até mesmo algumas capitais, é quase impossível encontrar lojas que tenham instrumentos importados de qualidade.

7. O preço, é muito caro e burocrático importar instrumentos no Brasil. Além disso, somente há poucos anos, com o advento da Internet, é que a maioria dos brasileiros teve acesso ao mundo, e pode comprar por importação um pouco mais acessível os instrumentos de qualidade.

8. O governo brasileiro não oferece nenhum incentivo à indústria musical brasileira, nem facilita as importações (visando proteger a tal indústria nacional). Assim, ficamos na mão, pois não há concorrência estrangeira nem instrumentos de qualidade no nosso país.

Acho que é isso....... Falei pouco né?......
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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Gil Brasil » 07 jun 2012, 00:20

Ainda falando da Weril.

A Weril consta como a 5ª maior fabricante de instrumentos do mundo, exporta para 67 países, conta com 370 empregados diretos, tem capacidade de producao de mais de 80 mil instrumentos por ano, investiu mais de 3 milhões de reais nos últimos anos.

O seu maior público consumidor são as igrejas (cerca de 50% das vendas da Weril), especialmente a Congregação Cristã no Brasil, que estima-se, tem aproximadamente 250 mil músicos (número não oficial, pois a CCB não faz contagem nem registro) somente em território brasileiro. Depois, vem as bandas e fanfarras. O prêmio do teste cego do trombone Weril foi uma das iniciativas da marca tentar conquistar espaço também nas orquestras sinfônicas e de câmara.

Enfim, tem tudo para ser uma grande produtora de instrumentos de qualidade, mas ainda faltam estudos técnicos avançados para a trompa. Ouvi dizer que a Weril tem importado rotores da Hans Hoyer para as trompas e a própria fábrica me informou que a trompa Weril está entre as melhores do mundo no quesito vedação.
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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Filipe.ac » 08 jun 2012, 04:15

A produção de trompa nacional ainda não chegou nem perto das grandes marcas.
Sou contra essa proteção do mercado brasileiro no quesito de intrumentos de sopros, pois só desmotiva os futuros artistas brasileiros.
Eu perguntei sobre as triplas, pois gostaria de saber como elas soam?o que soa diferente das duplas?
A alex103 é mais uma questão de escola trompistica ou ''modinha''?
Raramente você vê um trompista agudo usando uma descant.
Elas também não soam bem?
Uma vez escutei algo sobre a afinação das triplas, que ainda ficavam devendo para as duplas.
O mercado trompistico brasileiro é bem restrito nas questões de marcas,
parecem que as pessoas tem receio de tocarem em outra trompa sem ser uma Alexander.
Abraço a todos os trompistas.

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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por rmatosinhos » 08 jun 2012, 08:54

Há marcas melhores e piores pelos materiais utilizados, pelas técnicas de construcção e pela atenção dada aos detalhes.
Estes 3 aspectos condicionam em parte o resultado final dos instrumentos. Pode aparecer uma Alexander com problemas, erros acontecem, mas a probabilidade é menor. Acho que é um pouco por aí... Em caso de duvida, Alexander.
Recomendo sempre experimentar varias trompas, uma vez que nem todas as pessoas se dão bem com Alexander, e mesmo dentro da Alexander há outros modelos para além do 103 yellow brass...
Quanto às triplas, são um compromisso. Já as duplas são compromisso, uma vez que, por exemplo, o tudel principal deveria ser diferente em fá e si bemol (acusticamente falando). Numa tripla 1 tudel para 3 trompas, faz com que os diferentes construtores usem diferentes técnicas para ultrapassar/minimizar este problema. A questão da afinação, pode resolver-se em parte com as schmid fa/sib/mib. Depois vem a questão da água, pois quanto maior a quantidade de tubos... :) para isso alguns usam varias joykey. Maior quantidade de tubos, mais peso... (excepto nas triplas schmid que são mais leves do que muitas duplas. E por ultimo o preço...
Ricardo Matosinhos
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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Gil Brasil » 08 jun 2012, 19:56

Filipe, de fato, a Weril ainda está longe de alcançar a qualidade das trompas importadas, quem sabe um dia, pois já tem excelentes trombones, flugelhorns e trompetes.
A proteção do mercado brasileiro está estampado nas leis brasileiras, inclusive tem uma lei que está no Senado que isenta músicos de orquestras, ou profissionais inscritos na OMB, de imposto de importação, Confins e Pis/Pasep nas importações de instrumentos sem similares nacionais, válido a cada 5 anos, limitado a um instrumento por pessoa, com o 'nobre' objetivo de incentivar a qualidade da música no Brasil.

Assim, basta um instrumento ter a mesma nomenclatura e desenho para ser impedido desta isenção, na prática os políticos brasileiros estão brincando de fazer leis, sem ao menos ter um parâmetro técnico para caracterizar o que é similar. Similar na forma até qualquer picareta de fundo de quintal faz uma trompa, quero ver ter a qualidade de uma Schmid, Alexander, Yamaha, Holton, etc. Na prática, esta lei é a famosa "lei que não pega".

Eu perguntei sobre as triplas, pois gostaria de saber como elas soam?o que soa diferente das duplas?
R: As triplas soam como as duplas se você usar os registros de afinação de Fá e Sib normais. A única diferença fica por conta se o instrumentista usar o registro de Fá-agudo, aqui é que o som fica um pouco modificado, mais brilhante, mais metalizado (rachado), pois o tubo é bem menor que os de Fá e Sib normais. Porém, as marcas mais famosas têm investido bastante neste registro de Fá-agudo (ou Mib-agudo) e melhoraram a performance do som.

A alex103 é mais uma questão de escola trompistica ou ''modinha''?
R: Alexander como marca é "a trompa", é a escola trompística, com sonoridade caracteristicamente escura, muito aproximada da Escola de Viena. A Alexander produz trompas desde 1782 (230 anos). O modelo 103 é a trompa padrão das orquestras alemãs. Só isso já dá uma dimensão do que é a Alexander.

Raramente você vê um trompista agudo usando uma descant. Elas também não soam bem?
R: As descants são trompas sem a opção de Fá natural, o Fá tradicional de uma trompa, na verdade, alguns trompistas se "acham incompletos" sem Fá natural. Por isso, muitas orquestras e trompistas preferem uma dupla (Fá / Sib) ou uma tripla (Fá /Sib / Fá-agudo) para terem a opção do Fá natural. As descants somente têm opção de Sib / Fá-agudo, Sib / Mib-agudo, Sib / Sib-agudo, ou ainda as sopranos em Fá-agudo ou sib-agudo. Ou seja, se um maestro ou partitura requerem peças em Fá natural, o trompista com uma descant ficará sem opção. Os trompistas sem esta exigência de Fá-natural ou que tem duas trompas é que dão ao luxo de terem uma descant.

O mercado trompistico brasileiro é bem restrito nas questões de marcas, parecem que as pessoas tem receio de tocarem em outra trompa sem ser uma Alexander.
R: O mercado brasileiro é restrito, e como disse num dos posts, o Brasil ainda é muito incipiente em matéria de trompa. Também, não considero que os trompistas têm receio de tocar se não for uma Alexander, pois vejo muitos trompistas com Schmid, Hans Hoyer, Holton, Yamaha, Conn, Jupiter. Na verdade, a Alexander é a trompa mais desejada do mundo, não só do Brasil, e quebrar este paradigma é bastante difícil. No momento que o trompista brasileiro tiver condições financeiras de ter uma Schmid, Alexander, Lewis & Durk, Cornford (pois estão numa faixa parecida de preço), ele poderá sim experimentá-la e, a partir daí, fazer novas escolhas. Considero hoje a Schmid como a sua principal ameaça, e há muitos trompistas que acham a Schmid mais fácil de tocar, mais leve de segurar, mais fácil nos registros agudos, porém ainda tem aquela coisa de tradição da Alexander.
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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Eliabe Alamo » 09 jun 2012, 02:59

Trompas Weril ainda deixam muito a desejar!
Ah como eu queria poder comprar uma alexander... ou talvez uma hans... é um sonho!
Quem quer consegue, não importam as dificudades!

"Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo" Sl 33:3

Vejam Meu Canal http://www.youtube.com/user/EliabeAl/videos

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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Wagner Bracci » 20 set 2012, 20:48

Eliabe Alamo, corre atras do seu sonho que ele acontece. No meu caso aconteceu a curto prazo, tenho minha Hans Hoyer's e estou muito satisfeito.

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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Eliabe Alamo » 20 set 2012, 23:58

Com certeza Wagner, é estudar e tentar realizar esse sonho!
Parabéns pelo instrumento!!
Quem quer consegue, não importam as dificudades!

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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por scqueiroz » 20 fev 2013, 15:35

Olá amigos trompistas sou novo no site, mas já venho acompanhando os foruns deste espaço, tenho sanado muitas duvidas e com certeza aprendi algumas coisas, mas tenho uma pergunta, Alguém sabe onde comprar aquela trompa de viena???
Abraço a todos

Filipe.ac
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Re: É pecado tocar com trompa tripla no Brasil

Mensagem por Filipe.ac » 22 fev 2013, 15:47

Acho que no Brasil, pelo menos aqui no Rio que onde eu moro, a grande maioria procuram ter uma alexander,
quando citei o uso da descant eu não tive intenção de falar sobre um trompista que usa apenas a descant, e sim um que tenha duas trompas.
Sobre as triplas, sei que tem algumas pessoas usando, mas parece que é algo que não vai pegar no Brasil, pelo tipo de escola.
Sobre a lei que o Gil citou, é aquela famosa lei pega nada mesmo, importar coisas é muito caro ainda, e desmotivador.
Bocais ainda chegam em um valor caro, um jk por 300 reais, eu acho um absurdo.
O mercado de trompas usadas também é incrivelmente pequeno, quando se pensa em comercio virtual.
A plander esta começando com uma loja de usados que tem algumas coisa interessante, o próprio site trompista.com é interessante.
Poderiamos nos unir mais(povo trompista brasileiro) para divulgação de lojas, experiencias, concursos, masterclass,
sempre que acho algo interessante para ser discutido procuro postar algo, por aqui, quando acho interessante a discussão.
Sou um trompista novo ainda, vamos incentivar o comercio de trompas e bocais no brasil.
Se tem algo que esta parado ai faça esse material rodar,
trompistas de labios grossos auhauh, vamos divulgar esses bocais grandes ai, só acho bocal pequeno,
bora bombar o comercio.
Abraço a todos!

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